Brooklyn Restaurante
16 December, 2009
Agradável, confortável, divertido e bem gostoso. Esses são os adjetivos que quero usar para descrever o Brooklyn Restaurante, que fica no Itaim Bibi e completou 10 anos de funcionamento. O conceito é o seguinte: você janta bem devagar, mas bem devagar mesmo, e ao mesmo tempo se diverte com as músicas de famosos musicais Broadway, interpretadas pelos garçons cantores.
Como eu sou uma apaixonada por musicais, a demora do serviço em nada me incomodou. Na realidade, eu até gostei – quanto mais eu esperava, mais ouvia e cantava músicas de Rent, Fantasma da Ópera, Rei Leão, Jesus Superstar, Cabaré e muitos outros. Eu me diverti horrores e pelas 23h30 de uma terça-feira eu não queria embora.
É claro que se não fosse por isso, eu estaria bufando de impaciência e nervosismo na mesa. Afinal, chegamos ao restaurante às 20h00, sentamos, recebemos os cardápios de bebidas, escolhemos um vinho e comemos vários pães do couvert (pão integral, italiano, palitinhos, pasta de azeitona e margarina). Depois de uma hora, o garçom não havia trazido os cardápios de refeição e tivemos que pedir por ele. No meio disso, houve a cantoria agradável – que começou com uma excelente performance de “Can You Fell the Love Tonight” do Rei Leão. Então, desencanei da demora e comecei a curtir demais o ambiente.
Meu pedido na noite: para a entrada, o Tartar de Filé Mignon com ovo
pochet, azeite trufado e frissée; principal, Anchova grelhada com molho de Sakê com purê de batata, amêndoas e azeite trufado; e sobremesa, uma torta quente de chocolate amargo com sorvete de tangerina. Eles ainda serviram uma Surpresa do Chef, que ontem era um creme de mandioquinha. Eu achei tudo maravilhoso! Eu adoro o sabor da trufa, então não podia ter pedido pratos mais perfeito. E a sobremesa, obviamente de chocolate, estava de arrasar! Mas, para uma crítica de fato, é preciso levar em consideração que eu estava deslumbrada com as apresentações e com o sabor da trufa!
Os preços são bem salgados, comparam-se ao Di Bistrô e Jun Sakamoto. Entretanto, é um programa que se estende pela noite toda e que une a diversão dos musicais, com excelentes apresentações e cantores, e comida bem feita. Vale a pena a visita e, sem dúvida, a volta!
Ah, os tais dos garçons cantores nos servem, sim! É claro que há outros, que não cantam, que fazem o serviço de fato. Entretando, hora ou outra você vê um dos cantores carregando bandeijas e retirando pratos. Inclusive, um deles veio a mesa para conversar conosco – já que eu e minha irmã estávamos esgoelando de cantar todas as músicas.
Serviço:
Brooklyn Restaurante Preço: Couvert Artístico R$ 15; Vinho Salton Classic R$ 40; Couvert R$ 8; Entrada (Steak Tartar) R$ 30; Principal (Anchova) R$ 58; Sobremesa (Torta de chocolate amargo) R$ 20. Endereço: Rua Baltazar Fernandes, 54 Tel: 11 5533-4999/ 5093-8802 Horário de funcionamento: A partir das 20h Obs: É preciso fazer reservas com antecedência, pois o restaurante não tem rotatividade e vive cheio. Não adianta chegar antes das 20h, as portas só se abrem neste horário. O Valet é R$ 15.Di Bistrô
2 April, 2009
Em comemoração ao aniversário de meu amor, fomos ao Di Bistrô. Inspirado nas obras de Di Cavalcanti e nos filmes de Glauber Rocha, o chef e restauranter Cássio Machado montou um lugar moderno e aconchegante. O ambiente é pouco iluminado, o vermelho sangue predomina nos detalhes e nas paredes; fotos, pinturas, vasos e esculturas espalham-se pelo salão; mesas dos mais diversos tamanhos, cadeiras de brechós com estampas étnicas e vários modelos servem de apoio a uma deliciosa refeição. Jazz e Bossa Nova, na maioria em espanhol, completam a viagem pelo que parece ser um cenário de qualquer filme de Almodóvar. O banheiro é divertidíssimo, nos azulejos, cartas escritas há tempos, na Europa, que aguçam a curiosidade (Quem é a amiga que ele ampara? Quem é ele?). O Di é ideal para casais apaixonados e, para primeiros encontros, é escolha certeira.
Na noite de ontem, personagens típicos na elite paulistana. No canto, um homem de meia-idade, fino e cheio de grifes pelo corpo, adoraria passar uma noite calorosa com a modelo que levou para jantar (O óbvio, o espumante escolhido denunciava). Mais ou lado, a mesa de executivos a caminho de diversões noturna, dessa vez hablando Español. No resto, espalhados pelo apertado salão, três casais: um bem mais velho, um mais novo e nós.
Pedimos água com gás e um excelente vinho Chardonay. Veio o couvert: pãezinhos deliciosos e quentinhos, envoltos a um papel vegetal com sal e alecrim; um prato para cada com três tipos de Chutney (identifiquei, com ajuda do Duh, o de tomate; o resto, não me pergunte), patê de foie e manteiga – uma gota de cada – que rodeavam um único marisco e um punhado de Tartar de tomate. Muito gostoso, bonito, sofisticado, mas um tanto metido a besta.
Veio o cardápio, eu resolvi aceitar o Menu Degustação (R$ 45) que parecia montado ao meu gosto – Creme de Mandioquinha com Caviar, Risoto de Lula e Robalo Grelhado com Shitake e Azeito Trufado. O Duh pediu, como entrada, Vieiras com Cogumelos ao Azeito Trufado (R$ 26) e, de prato principal, um Atum com Molho de Wasabi e Cuscuz Marroquino (em torno de R$ 50). Nesse momento, o garçom resolveu que, a partir de então, eu beberia água normal e o Duh água com gás.
Chegou o primeiro prato: para o Duh, um creme de vegetais, servido em uma taça de Martini de metal, como cortesia; para mim o creme de mandioquinha – que estava bem delicioso. Havia comido caviar apenas uma vez e, contrariando opiniões, adorei. Misturado ao creme, ficou suave e me remeteu àquelas balinhas que explodem na boca. Quando estava saboreando devagar o prato (que estava quente demais) e distraída com o Duh, o garçom decidiu que eu já havia terminado e retirou o meu prato. Protestei: mas eu ainda não terminei. Ele me devolveu a segunda metade do creme, para minha alegria e satisfação do meu palato. A segunda entrada, o Risoto, apesar de quente demais também, estava perfeito – o arroz al dente, a lula no ponto certo e um levemente apimentado. Chegaram as Vieiras do Duh, lindas e hiper saborosas.
Depois, o prato principal. Ambos equilibrados, belos e deliciosos. De sobremesa, pedimos um Foudant de Chocolate com Sorvete de Nata e Chantilly de café (R$ 14) – até agora, me pergunto: onde estava o chantilly?
Apesar das falhas no atendimento e de não ter conseguido comer um prato sem esperar cerca de cinco minutos para não queimar a língua, o Di Bistrô é delicioso. Vale a pena conhecer.