We care a Lot

Imagem 038Sábado, 7 de novembro, foi dia do Faith No More na Chácara do Jóquei, São Paulo. Digo isso porque as outras atrações internacionais e nacionais do  festival Maquinaria deste ano, Nação Zumbi, Sepultura, Jane´s Addiction e Deftones, apesar de boas, não chegam nem aos pés da banda liderada pelo Mike Patton. E, sem dúvidas, não eram tão esperadas.

Quando chegamos, o Deftones já tinha entrado. Consegui pular algumas poucos músicas, cantar outras, mas o som estava tão embolado que ficou difícil conseguir entender o que se passava no palco. E tava sol, um calor quase insuportável… E eu ainda não tinha entrado naquele clima de show.

No final, começou a tocar uma banda no outro palco, o My Space, lá atrás. E eu pensei: “coitado desses caras. Eles se preparam muito, estão super empolgados, e vão tocar para uma meia dúzia de pessoas”. O festival montou dois palcos, como no ano passado, e  claro que poucos saíram do lugar para prestigiar as bandas novas que tocaram. Sem contar que, apesar de ser no mesmo recinto, a som quase não chegava para quem estava mais perto do palco principal.

O primeiro show que vi de verdade foi o Jane´s Addiction, uma banda que gosto muito. O palco estava bem bonito; atrás, um painel com três caveiras mexicanas desenhadas em cores de henna deu certo glamour à apresentação. O vocalista, Perry Farrell, vestia um macacão brilhante ridículo a lá David Bowie ou Ney Matogrosso  (que coincidentemente foi citado por Mike Patton em virtude da chuva, em clara alusão a Secos & Molhados – “Eu estar secos, vocês molhados”,  assim mesmo, em português). Inclusive, dava rebolados e fazia dancinhas sexy, como Ney. Ao lado, Dave Navarro que diante da enorme energia de Farrell ficou bem apagado. Aliás, o guitarrista (ex-Red Hot Chilli Peppers) só ganhou destaque quando teve o físico elogiado pelo performático vocalista em um de seus devaneios. Outro destaque foram as dançarinas vestidas de quimonos, que logo que entraram fizeram um strip-tease diante do público e exibiram vestes provocantes. Gostei: foi bacana constar que a voz de Farrel está em perfeito estado. Eu particularmente gostei das músicas Ritual de lo Habitual, Stop e Been Caught Stealling, e de Jane Says, ao violão. Não gostei: do número de samba no final.

Set List: Up the Beach, Mountain Song, Three Days, Whores, Then She Did, Been Caught Stealing, Ocean Size, Ted, Just Admit It…, This guy is in love with you. Bis: Summertime Rolls, Stop!, Jane Says, Chip Away.

Depois, no MySpace, houve a apresentação Brothers of Brazil, dos irmãos Suplicy. As pessoas em volta começaram: “pelamordedeus, começa logo o show do Faith no More para o Supla parar de cantar”. Eu concordei e ponto.

Então, depois de 20 minutos e chuva forte, eis que sobe ao palco o tão esperado FNM. Mike Patton surge com os cabelos penteados para trás, de camisa e calça social vermelhas, segurando uma bengala em uma mão e um guarda-chuva preto na outra. No pescoço, um distintivo policial. Tenho que dizer: charmoso. Os outros integrantes, de terno – à exceção do baterista que exibia seus imensos dreads. Fantástica, profissional e perfeita, a banda fez a apresentação esperada pelo público pelos últimos dez anos: um setlist só de clássicos que todos berravam, fizeram brincadeiras, ironizaram, xingaram e, sem dúvida, tocaram MUITO. Ponto positivíssimo para Patton, que arriscou dirigir-se ao público o tempo todo em português embolado (eu nunca vi outro artista de rock fazer o mesmo, uma demonstração imensa de respeito). Inclusive, os shows no Brasil tiveram direito a uma versão de Evidence em português que foi dedicada a Zé do Caixão. Adorei: o show todo – impecável. Detestei: a homenagem ao Palmeiras – desnecessário (se fosse Corinthians…).

Setlist: Reunited, From Out of Nowhere, Be Aggressive, Caffeine, Evidence (em português), Surprise! You’re Dead, Last Cup of Sorrow, Ricochet, Easy, Epic, Midlife Crisis, Caralho Voador, The Gentle Art of Making Enemies, King for a Day, Ashes to Ashes, Just a Man. Bis: Stripsearch, We Care a Lot, This guy is in love with you, Digging the Grave

Sobre o Festival

O Maquinaria estava muito bem organizado: não foi difícil achar vagas e sair do estacionamento, havia bastante pontos de distribuição de bebidas, os shows começaram na hora (com exceção do Faith No More que atrasou por causa da chuva torrencial) e não havia filas em banheiros, bares e restaurantes. Nota dez!

Eu gravei um pedacinho do show do Faith No More. A qualidade não está lá essas coisas, mas dá para ouvir o final de Easy e Epic inteira.

P.S: Queria tanto um celular que fizesse vídeo também…

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