Veja: Bastardos Inglórios

ingloriousbastards_1Já vi quase os filmes de Tarantino, só não o My Best Friend’s Birthday (1987), e posso afirmar que Bastardos Inglórios não é só um excelente filme, mas também um dos melhores dirigidos por ele. Chego a arriscar: pode ser até melhor de Pulp Fiction (1994) – para ter certeza eu precisaria ver mais uma porção de vezes. Os motivos: o tema, o tempo, o espaço, o roteiro (diálogos e ironia) e a atuação dos atores.

Bastardos Inglórios se passa durante a Segunda Guerra Mundial. Só que, ao invés de optar pelo óbvio e filmar na Alemanha, Polônia, Itália ou até mesmo Estados Unidos, o diretor escolheu a França para protagonizar a trama.

A França, em 1941, já era ocupada pelos alemães há um ano. Ou seja, uma das maiores potências mundiais já havia caído diante do poder militar do Terceiro Reich e isso significou o fim a hegemonia europeia do mundo. Aliás, até hoje as nações europeias, apesar de muito importantes para a ordem mundial, não detém o poder que tiveram no passado. Até mesmo porque são poucos os países que tem poder político e econômico fora dos grandes blocos (G8, G20, Mercosul, União Europeia) – mesmo que estes possam ser meras ilustrações.

Em Bastardos Inglórios, a formação de alianças internacionais também é tema central. O grupo dos Bastardos (resistência mundial) é formado por soldados judeus, um austríacos, um alemão e vários americanos, comandados pelo tenente estadunidense, Aldo Rayne, o Apache (Brad Pitt) – o que me leva a imediatamente relacionar o comandante dos Bastardos com o papel dos Estados Unidos na Segunda Guerra e, magicamente, o entretenimento puro vira coisa de intelectual chato.

Se pensarmos assim, consigo relacionar todos os personagens a países e grupos que tiveram importante papel durante o guerra. O primeiro personagem do filme, Pierre La Padite (Denis Menochet), pode ser o representante da França rendida. Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), a franco-judia, e Michel podem ser as resistências francesa e africana contra o regime alemão. O general espertão e irônico Hans Landa (Christoph Waltz) é a própria Alemanha e assim por diante…ingloriousbastards_9

Dividido em capítulos, o filme faz inúmeras referências ao cinema e aos “queridinhos” do diretor. É possível ver claras citações a movimentos cinematográficos, diretores e atores, como o faroeste americano (nada mais claro que a música), John Ford (enquadramento), Nouvelle Vague (estética), Truffaut (Shosanna parece retirada de um filme dele e colada aqui), Lars Von Trier (incêndio), Guy Ritchie (letreiros) e, com certeza muitas outras que vou perceber quando ver de novo.

O capítulo 1 é a apresentação do General Hans Landa. O ator que o interpreta, Christoph Waltz, está particularmente excepcional no filme. A genialidade está na excelente interpretação dos diálogos, com todo o cuidado nas entonações de ironia. Por exemplo, a conversa que apresenta o filme é genial – Landa compara alemães a águias e judeus a ratos e explica porque, na concepção dele, a comparação com ratos não é depreciativa.

ingloriousbastards_8No capítulo 2 é a vez dos Bastardos – que representa toda a agressividade dos filmes de Tarantino. São eles que matam com tiros ou pauladas de taco de beisebol, tiram couro cabeludo e marcam os soldados judeus. Brad Pitt aparece aqui, como o tenente que comanda o grupo. Ele está bom também no filme, bem caricato (o que me lembrou o cigano do Snatch – Porcos e Diamantes, do Guy Ritchie). O três, de Shosanna e o resto, o desenrolar da história.

O filme acaba em 1944, justamente o ano do Dia D, que é o marco da derrota do líder do regime nazista. Sem surpresas, o final é o mesmo do acontecimento histórico equivalente – a derrota do regime nazista.

Agora, tirando todas as minhas relações pseudo-intelectuais, não vá ao cinema assistir a Bastardos Inglórios achando que o filme é para refletir e que Tarantino entrou para o movimento do cinema iraniano. Muito pelo contrário, ele é divertido, inteligente, irônico – totalmente entretenimento, mas com bastante teor e crítica.

Veja abaixo o trailer.

Serviço

Salas em São Paulo

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