Invictus

Que o Clint Eatswood é um gênio sabemos desde que ele começou a se aventurar como diretor. Ícones cinematográficos não faltam: A Conquista da Honra, Cartas da Iwo Jima, Mystic River, Million Dollar Baby… Adoro quase tudo que ele dirige. Só que Invictus, o filme que entra em cartaz na sexta-feira (29), foi além e superou qualquer outra coisa que ele já fez. Não só porque fala da história tão singular da África do Sul e de Nelson Mandela, mas também porque mostra a importância do esporte para a união de um país.

O filme, basicamente, conta a história da África do Sul pós-Apartheid, um regime segregacionista racial, onde a minoria branca dominava o país. Conta a ascensão de Nelson Mandela, o Madiba, para os negros, ao poder e o desafio de construir uma nação forte e unida depois de tantos anos de conflitos e ódio. Com pensamentos únicos e a visão de unir a África do Sul, Mandela enxerga no rugby, o esporte preferido dos brancos, um meio para concretizar o sonho de tantos anos na prisão. (Para quem não sabe, a África do Sul tem um dos melhores times de rugby do mundo, o Springbok, que durante o Apartheid só tinha jogadores brancos). O filme grita: “não tem como não amar a África do Sul, não tem como não amar e ovacionar Nelson Mandela”. Só de pensar, me arrepio!

Uma das genialidades do primeiro presidente negro da África do Sul foi a escolha do esporte paixão nacional como arma de combate à divisão racial. Foi ver que, com incentivo, todos poderiam se unir e torcer por uma única coisa – mesmo que não seja algo tão sério assim, como rugby.

Enquanto via as cenas dos estádios lotados não pude deixar de comparar o rugby sul-africano com o futebol brasileiro. Eu não sou grande fã do esporte, mas reconheço a característica maravilhosa: une pessoas, de diferentes classes sociais, cores e raças, tanto nos estádios como nas peladas por aí. Em qualquer parte do país, dois pares de Havaianas e uma bola fazem mais sucesso que qualquer outra coisa e aproximam mais pessoas que qualquer meio de comunicação. Aqui, o futebol é língua, é paixão e história, é lição e aprendizado. Por isso, é tão importante que se invista nele; por isso, deve ser considerado assunto sério e colocado na pauta importante das agendas dos governantes. O esporte é tão importante quanto qualquer outro ministério do país, só que muito mais divertido!

Ah, o filme é imperdível. Morgan Freeman, que interpreta o Mandela, dá show e deve ser indicado para o Oscar deste ano. Aqui embaixo, ao invés do trailer do filme – como de costume – vou colocar o vídeo de Mandela chamando a todos para ir para a Copa de 2010. Também é de arrepiar!

PS: Quem gosta do assunto não pode deixar de ler o livro que inspirou o filme, Conquistando o Inimigo; o Desonra, do mestre sul-africano Coetzee; e o Clube do Bang-Bang, sobre fotojornalismo no Apartheid!

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