O auge de Portman; o encontro de Aronofsky

Fui ver o Cisne Negro, do diretor Darren Aronofsky. Como gosto muito de cinema, sempre procuro saber um pouco sobre os filmes anteriores dos diretores. Mas, desta vez, fui ao cinema sem ter ideia quem era o diretor do filme. Estava indo para ver a tão falada atuação de Natalie Portman, atriz que me chamou atenção em Closer.

Quando cheguei ao cinema, percebi que Aronofsky era o diretor do filme. A quem admiro, por ter feito Réquiem para um Sonho (2000), um filmaço sobre as crises juvenis e o envolvimento com drogas; e Pi (1998), que é excelente, mas dificílimo pela temática (a paranoia de um matemático) e pela montagem.

Lembrando desses dois filmes, não foi difícil ligar a temática de Cisne Negro ao diretor – que sempre achou na loucura suas melhores histórias. A edição e montagem, afinal, é uma mistura dos dois. Há momentos de loucura, de cortes bagunçados e secos, de preto e branco. Aliás, é interessante perceber a importância da cor no trabalho de Aronofsky. O Pi, por exemplo, a ausência de cor incomoda a ponto de te fazer realmente entrar na paranóia do personagem. Em Réquiem, o uso de iluminação escura e saturada e a alta granulação do filme faz parte da história. Em Cisne Negro, Aronofsky optou pela granulação novamente, pela iluminação escura e pela quase-não cor – o que casou perfeitamente com a temática braco x negro do filme.

Sabendo da filmografia, fica fácil entender porque o filme é tão bom: ele é o encontro perfeito entre tudo que o diretor gosta de filmar. Aronofsky começa com o mundo do balé, cenas belas, filmadas ao estilo dele, que vão se intensificando a medida que a história avança. Intensifica-se da doçura a loucura em um ritmo frenético, que só é superável pelo Réquiem. E o trabalho que ele fez com Natalie Portman foi incrível, ao fazê-la crescer instantaneamente ao longo de alguns minutos. Mal nos recordamos na chatissima personagem gerente de uma loja de brinquedos, muito menos da sem sal princesa do Star Wars. E achei que agora, ela está infinitamente melhor do que em Closer.

Outro detalhe bacana é a música. Aronofsky sempre gosta de colocar música clássica nos filmes e, com a temática balé, a inserção da trilha sonora do espetáculo Lago do Cisne ficou espetacular.

Não se pode deixar de comentar que Cisne Negro é lotado (LOTADO) de clichês. Usa temáticas batidas: sexo, drogas, competição, paranóia e homossexualismo. A personagem sexy, Lily (interpretada por aquela atriz que faz a menina burrinha do That 70’s Show), tem uma tatuagem de asas negras, está sempre de preto e super maquiada. Contudo, mesmo assim, o filme acaba sendo brilhante, mostrando que o diretor se encontrou de vez. Vale a pena conferir: é um show de direção e montagem!

Obs.: Aronofsky parece ter influenciado uma gama de diretores que, à época, piraram com essa coisa de filmes escuros, filmagens tremidas que quase causam náuseas e temáticas paranóicas (aka Irreversível, 21 gramas, Mentes Brilhantes, entre outros). E certeza que Aronofsky devorou Trainspotting (1996), a obra-prima de David Boyle, que por coencidência, tem um filme cocorrendo ao Oscar deste ano (127 horas).

Veja os trailers de Cisne Negro, Réquiem para um Sonho e Pi.

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One thought on “O auge de Portman; o encontro de Aronofsky

  1. Flavia says:

    Só um comentário que esqueci de fazer. Todos esses diretores que trabalham com loucura devoraram as obras de David Lynch, que no último filme parece ter pirado de vez. Homem Elefante (1980), Veludo Azul (1986), com a bela Isabela Rosselni, e Cidade dos Sonhos (2001) são referências indiscutíveis. Vale conferir!

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