Bravura Indômita: Dude Lebowski vai ao velho oeste

Antes de qualquer coisa, tenho que dizer que não assisti à primeira versão de Bravura Indômita.

Impossível não lembrar do “Dude” Lebowski ao assistir Jeff Bridges interpretando “Rooster” Cogburn. O policial federal beberrão parece, de fato, o mesmo personagem do antigo filme dos irmão Coen, só que vestido de cowboy. A fala, o andar, os hábitos, tudo remete ao memórável Dude, só que com um tempero a mais: a agressividade de Anton Chigurh, de “Os Fracos não tem Vez”, interpretado por Javier Barden. Contudo não consegui ver no filme a mesma qualidade dos filmes citados, talvez por ser muito mais uma homenagem ao gênero Western, do que um filme que discute comicamente a sociedade americana – fato muito marcante nos filmes dos diretores. À exemplo: “No Country for Old Mens” (2007), pessimamente traduzido para “Onde os Fracos não tem Vez”; ou o “Queime Depois de Ler” (2008), que não está na minha lista de preferidos, mas tem um excelente crítica por trás; ”

O que me fez falta também em Bravura Indômita foi a narrativa típica dos irmãos Coen, em que fatos vão acontecendo em um efeito cascata, terminando à beira do caos. Os melhores filmes são aquele cuja história, ao desenrolar-se, passa do normal para o absurdo, como é o caso de Fargo (1996) e Big Lebowski (1998).

Contudo, é possível ver a assinatura deles nos personagens bem desenvolvidos. E, como falei acima, principalmente na figura interpretada por Jeff Bridges. Falador compulsivo, beberrão nato, Cogburn é pura inconsequência – um tira fora da lei,em termos mais westerns. A menina Mattie Ross (Hailee Steinfeld), é uma adolescente de 14 anos gênio, cujos argumentos são capazes de convecer a qualquer um – o interessante é notar que, apesar disso, o discurso dela é relativamente adolescente, cheio de vontades e sonhos.

Outra coisa que não poderia faltar são as cenas hilárias, com a clara assinatura dos diretores. Uma delas (a melhor, tenho que dizer) é de Cogburn desmontando bêbado do cavalo na tentativa de provar a LaBoeuf (Matt Damon, quase irreconhecível) que tem excelente pontaria. A outra é quando a menina Mattie Ross corta a corda que segura um corpo enforcado do alto de uma árvore com Cogburn sem parar de falar um minuto, obviamente.

Bravura Indômita, para mim, é um filme ok. Não é excelente, mas é melhor do que a média geral de filmes norte-americanos. Também não é memorável, como tantos dos irmãos Coen, mas com certeza vale o preço do ingresso.

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