Dia 3 – Paris

Sacre-Coeur

Em algum lugar de Paris, por Flavia K. Cabral

Segundo dia em Paris (terceiro dia de viagem): o dia em que, como descobriria mais tarde, encontraria com a Paris que sempre imaginei.

Saímos do hotel cedo, em direção a Champs-Elysees. O plano: subir a Champs Elysees a pé, até chegar o Arc de Triomphe. Decemos na estação e logo demos de cara com uma enorme Boulevard (a Champs-Elysees), que é muito maior e mais larga do que eu imaginei que seria. Olhando para a direita, o Arc de Triomphe, para a esquerda, um obelisco. As árvores estavam como deveriam estar, peladas. Contudo, algo me instigou: todas as árvores, que não eram baixas (aliás, eram altíssimas), estavam podadas no mesmo formato quadrado, sem nenhum galho fora de alinhamento (cara, quem perde tanto tempo podando as árvores de Paris? Não é possível que na natureza exista tamanha regularidade).

Andamos, andamos, andamos e andamos… Chegamos na parte das lojinhas da Champs-Elysees e uma, em especial, nos chamou a atenção. A vitrine toda lindinha, em tons pastéis, nos chamou a atenção. Quando chegamos perto, vimos macarrons, doces, delícias que pareciam saídas do filme Marie Antoniete, de Sofia Coppola. A loja era a Ladurée, que – dizem – inventou o macarron e que existe desde 1852. Verdade ou não, a belíssima vitrine esconde caros doces, que de tão apetitosos parecem irresistíveis. Entramos na fila, pedimos uma porção de Macarrons e seguimos ao Arc. Mas não sem antes provas as delicinhas coloridinhas, que estavam bem boas (na realidade, estavam mais bonitas do que gostosas, mas estavam boas).

Até agora, para falar a verdade, Paris tinha sido um pouco decepcionante. O Arc de Triomphe é bem bonito e grande, todo decorado e etc, mas nada se comparava à Paris que estava na minha mente, à Paris dos filmes e de Cartier-Bresson. Até então, Paris tinha sido um monde de enormes avenidas, ladeadas por grandes espaços, alguns cafés, carros e lojas… Nesse momento, pensei: “Ah, nem valeu tanto a pena assim sonhar em conhecer tal cidade. A realidade nunca alcança o sonho.” Fiquei até um pouco triste e mal-humorada com a Paris que se apresentava a mim.

Ao sair do Arc, decidimos pegar o metrô até o Moulin Rouge e, depois, segui caminhando para a Basilique du Sacre-Coeur. O Moulin Rouge, como eu já esperava, é totalmente decepcionante, mas eu não imaginei que seria tanto. Aquele moinho é mais malfeito o que as atrações apresentadas pelo Playcenter. Contudo, as construções em volta eram simpáticas e bem bonitinhas. O bairro boêmia, que comparei à Augusta.

Andamos, andamos e andamos de novo e chegamos ao pé da rua que dá acesso à Basilique du Sacre-Coeur. A lotação de turistas e os rapazes desafiando a sorte deles com aquele jogo em que se aponta onde está a bolinha branca debaixo das 3 pedras embaralhadas recordaram a 25 de março. Inclusive, ao tirar uma foto da rua, com a basílica em cima, quase fui atacada por um francês infeliz que estava promovendo o joguinho. “No photo”, dizia ele. Eu, na minha irritação respondi: “I’m not taking pictures of you, I’m taking pictures of the road, which is public (Não estou tirando foto de você, estou tirando foto da rua, que é publica)”. Francês é um povo meio assim, metido a besta.

Enfim, subimos as centenas de escadas que levam lá para cima. No pé, uns africanos chatos que insistem em fazer pulseirinhas no seu pulso (fuja deles, porque se eles pegam, cobram). E um carrossel bem francês, com uma ou duas crianças rodando. E lá vamos nós. A vista vai ficando interessante a medida que avança-se. Lá de cima, em dias com menos fogs, deve ser deslumbrante. Entretanto, para nosso azar, o dia, apesar de ensolarado, estava um pouco esbranquiçado.

A Basílica é linda de fora. O formato redondinho é deslumbrante. De dentro, não se comparam as igrejas que visitei em Portugal, mas é bela. Eu, como não sou católica, não me emociono, mas reconheço a beleza das figuras religiosas.

Dali, resolvemos tentar achar um feira-livre, que o Duh tinha visto em um site de viagem. Pegamos uma rua ao lado esquerdo da basílica lá em cima e, claro, acabamos nos perdendo naquele bairro cheio de subidas e becos. Andamos por lá, bem devagar e, então, eu a reconheci: a Paris que eu sempre sonhei.

Andamos por ruas de paralelepípedos estreitas, ladeadas por cafés, restaurantes e lojas de artesanatos. Alcançamos uma praça com uma feirinha, onde vários artistas vendiam suas produções e pintavam ao vivo, diante dos turistas. Um me parou, dizendo que eu tinha um lindo perfil e queria recortar um papel imitando-o. Ele começou, mas eu recusei. Só que, tenho que confessar, no pescoço, boca e nariz que ele recortou eu me reconheci!

Almoçamos por ali, em um restaurante bem de turista. O Duh degostou Molles com Fritas, eu um frango à parisiense – muito parecido com o do Paris 6, mas infinitamente melhor. A Fabi… não me lembro, mas lembro que era bom. Aliás, tudo estava fenomenal. Saímos satisfeitos e eu apaixonada. Tinha enfim encontrado Paris.

Foto: Quando eu fiz essa foto, já estava apaixonada por Paris. Talvez seja a minha melhor foto da cidade. Esperei uns 20 minutos até todas as pessoas saírem da frente. Valeu a pena!

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