Sobre Realengo

Existe uma grande questão que ainda não vi ninguém levantar por aí: a solidão e a indiferença. Como pode uma pessoa com tamanhos problemas psicológicos, que claramente necessitava de tratamento, passar totalmente despercebida da família, amigos e sociedade? Como pode ser que ninguém, uma pessoa se quer, tenha percebido que Wellington Menezes de Oliveira, o atirador, precisava de fato de ajuda, internação ou qualquer outra intervenção para controlar um problema psíquico? Porque, na minha concepção de humanidade, ninguém em sã consciência entra em uma escola e atira em 12 crianças se não tem alguma séria doença psicológica.

Como toda essa questão de buylling, que de fato é importante, e desarmamento, que também acho pertinente, esquece-se de discutir o real papel da família, dos amigos e da sociedade nesse caso. Não querendo justificar, não acredito que haja qualquer justificativa, mas, para mim, o caso mostra muito mais a indiferenças das estruturas tradicionais de apoio ao indivíduo do que qualquer outra coisa. Não foi a falta de segurança, não foi a falta de seguranças armados nas escolas, não foi somente o buylling e a religião. Foi, de fato, o abandono e a desistência de todas as instituições para com ele.

Fico imaginando que, se caso alguém tivesse percebido a perturbação do rapaz, tudo isso teria sido evitado. Provavelmente Wellington estaria tomando medicamentos, ou internado, ou em tratamento, ou tantas outras possibilidades…

Este tema, a invisibilidade dos seres, é amplamente discutido no documentário “Última Parada 174”, de Bruno Barreto, lançado em 2002. Brilhante e ainda atual, depois de quase 10 anos, deveria ser visto por todos os jornalistas que estão cobrindo o caso. E não somente por eles, mas por todos que querem entender um pouco sobre a sociedade brasileira. Veja abaixo o trailer.

***

Mídia Espetáculo

Confesso que não seria uma repórter e/ou fotógrafa tão boa para cobrir tragédias. Eu nem ao menos pensaria em fazer as fotos grotescas exibidas pela revista Veja dessa semana. Eu acho uma falta de respeito, e totalmente desnecessário, colocar em duas páginas estouradas crianças ensaguentadas…

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