Alhos, bugalhos e peles

A Arezzo tropeçou, lançou no mercado uma coleção inteira feita de peles de verdade de animais considerados exóticos. Além de ter lançado, colocou-a como o carro chefe da estação Outono/inverno. Uma mancha na imagem, que tenho certeza que não vai afetar a marca tanto assim. As reais consumidoras da Arezzo, que estão dispostas a pagar R$ 300 em um sapato, acham a última moda andar exibindo peles de animais. Não se espante por isso, viu? Elas consomem peles de animais exóticos há anos e um dos exemplos são as caríssimas bolsas da Vitor Hugo de pele de jacaré, avestruz e cobra. Chegam a custar mais de mil reais uma peça.

De qualquer forma, a Vitor Hugo, como uma empresa inteligente, não estampa nas vitrines, lojas e sites alguma referência a peles exóticas, como Arezzo estampou com muitas letras a Pelemania. Só ficamos sabendo da origem do material quando, já dentro da loja, escolhemos aquela belíssima peça com a cor da última moda – e isso se perguntarmos. Apesar de matar animaizinhos, o que a mídia não vê, o coração não sente, e ninguém mandou retirar as bolsas da VH das lojas.

Sou totalmente contra ao uso de peles para confecção de roupas, preferindo inclusive usar couro sintético a natural (comprei uma jaqueta recentemente linda e busquei exatamente essas características). Protestei e falei um monte da Arezzo no Twitter e no Facebook, entretanto não posso deixar de notar a falta de coerência e senso, tanto da loja e da agência de publicidade que criou a campanha, quanto das pessoas que criticaram ou defenderam a marca. Uma grande característica de nosso tempo, a falta de profundidade nos argumentos, a superficialidade de opiniões e, principalmente, uma errada forma de interpretação e conexão dos fatos, se torna aparente.

Vi jornalistas renomados comparando a produção de casacos de peles exóticas à produção e consumo de carne, de qualquer tipo. É matar animais? É, da mesma forma. Tem o mesmo objetivo e significado? Certamente que não. O consumo de carnes e produtos derivados da proteína animal na alimentação é irreversível no mundo. Nem no mundo ideal, conseguiremos fazer com que todas as pessoas deixem de necessitar das proteínas e vitaminas que peixes, carnes e frangos nos fornecem. Além disso, não existe de nenhuma forma um substituto à altura para esses produtos, nutricionalmente falando e, claro, saborosamente também.

Contudo, o mercado de peles para vestuário é infinitamente menor do que o da carne. Além disso, o couro e a pele sintética tem qualidades quase real – algumas inclusive são tão parecidas, que confundem até especialistas. Na minha opinião, o fato de haver um substituto sintético e tecnológico à altura justifica uma legislação que proíba o uso de couro em vestuários e sapatos.

Vi também a Arezzo se retirando da discussão do uso da pele para confecção. Oras, se você produziu algo, como não quer discutir o tema? Isso sim é que é falta de coerência entre imagem e discurso.

O mundo está de ponta cabeça…

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s