Encasulada

Estou no meu melhor (e maior) momento casulo. Não imagine que seja por tristeza, não tenho estado triste; ou por solidão, mesmo que esta tenha aumentado um pouco com os fatos da vida – na realidade, a solidão tem sido bem quista nesse momento. Os passageiros de longa data sabem que, por aqui, esses momentos sempre foram temidos – mesmo que por poucas horas. Os persistentes já perceberam que, de fato, é possível contar nos dedos os dias que passei inteiros sem sair de casa por querer (e não por necessidades básicas, como trabalhar). Isso porque sou “de fora”. Respirar fundo o ar livre me tira aquela sensação de sem ar. Contudo, estou no meu momento casulo e isso tem me feito bem. E, talvez, seja por isso que tenha demorado tanto para voltar a escrever aqui.

Ok, esse tempo escandinavo tem ajudado de forma imensa a não querer colocar meu nariz para fora, já que o que mais gosto no frio são os aquecedores. Mas, nesses dias, sinto-me diferente. Como se companhias, quando quistas, fossem exatamente isso, quistas, e não necessidades constantes. Como se a solidão já não fosse mais tão assustadora. Talvez tenha chegado o momento que ficar com meus próprios pensamentos não me enlouqueça. Que as lembranças, quando doloridas, são simplesmente enfrentadas com ricos diálogos comigo mesma (mesmo que pareça loucura). Mas, esses momentos sozinha me tem sido ricos.

Para me acompanhar, todo e qualquer tipo de palavra (escritas, ouvidas, cantadas, faladas, dialogadas). Dentre elas, os discursos cinematográficos – que são os que mais atraem. Os grandes ou pequenos ; os inconstantes, perdidos, esquecidos, famosos, franceses, ingleses, brasileiros ou americanos. Os novos, antigos, romances, não-romances (o que é o contrário do amor mesmo?). Diálogos que retratam vidas diferentes da minha, nem pior que possa ser rejeitada, ou melhor que possa ser invejada.

E fico, no meu inconsciente de escritora e diretora frustrada, imaginando o quão difícil é criar histórias, boas histórias… E boas histórias de amor, então? Ou de não-amor? Esse é o tema central de 3 filmes que, nesse momento que me encontro, me surpreenderam positivamente. Foram por mim escolhidos para estar neste post dentre a seleção de quase 20 filmes que assisti nos últimos dias.

Namorados para Sempre fala do fim do amor de maneira crua e real. Sem firulas, lero-leros, sem histórias romantizadas. Afinal, a dura realidade é que nem todos tem a sorte de encontrar um grande amor e vivê-lo de maneira intensa (mas, como vi na peça “E se não tivesse amor no nome?”: imagina a pressão que sentiríamos se vivêssemos ao lado do nosso grande amor?). E, ao mesmo tempo, é delicado ao passar, com realidade, os grandes momentos dos primeiros encontros.

Meia Noite em Paris discursa sobre o amor por uma cidade em uma certa época. O amor ao passado ilustre de uma cidade gloriosa e importante para literatura, artes e música e, claro, para economia, política e tantas outras coisas que levam a bandeira “liberal”.

Minhas Tardes com Margueritte traz o amor entre amigos de maneira singela e delicada, com o sentimento e respeito crescendo com passar do tempo. Fala também do amor pelas palavras e pelo conhecimento e reflete a importância, já bastante esquecida, do idoso para as gerações mais novas. Parece, ao mesmo tempo, calmo e curtíssimo.

São filmes imperdíveis, na minha opinião. Que acrescentam não apenas momentos divertidos, mas fazem-nos essencialmente pensar e enfretar o amor de diversas formas. Filmes que refletem algo de como me sinto hoje. E você, já os viu? Gostou?

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