Um corpo

Havia um corpo estirado; no meio do caminho, entre as estradas. Um homem, com seus 50 anos, estendia um pequeno pano em cima do corpo estirado. O pano era pequeno demais, o corpo era pequeno demais. Os rostos chocados, a cara da morte. Havia carros parados aos lados. Não havia resgaste.

E nós passamos, abismados. Apenas passamos e só, como tantos outros que apenas passaram. E me pergunte: cadê o

resgate? Não deu tempo… Não deu tempo. E continuamos.

Lembrei de quando voltávamos de Paraty. Crianças empinavam pipa no meio da rodovia, corriam olhando para cima, sorrindo. Imaginei que aquele pequeno corpo poderia estar fazendo o mesmo, empinando pipa e sorrindo quando algum desavisado à 120 km/h passava. De quem é a culpa? Não importa, não importa. Importa a vida, ou o fim da vida, o sorriso interrompido, a família chorosa… E isso é o que tem que importar. Lamentável, lamentável.

*Publicado originalmente na Timeline do Facebook em 09/Jan/2012
Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s