A vida paulistana

Neste fds, estive com pessoas de 4 nacionalidades diferentes: um nicaraguense, uma neo-zelandeza, um estaduniense e um argentino. Em comum, o fato de que deixaram suas terras para tentar a vida aqui – geralmente porque se apaixonaram por alguém daqui e casaram. Foi então que me dei conta do quanto São Paulo é uma cidade complexa para nós, ainda mais para o estrangeiro. SP chega a

té ser uma cidade má, com pessoas más e, sobretudo, mesquinha.

“Temos que estar constantemente em estado de alerta, e isso cansa”, confesou-me o nicaraguense. “Morei NY e comprava roupas que aqui são consideradas de marca (apontou para o jacaré em sua pólo azul). Aqui, tenho que andar com a mochila por cima o tempo todo, pq eles acham que sou rico. Não tenho como me adaptar, não vou trocar meu guarda-roupa todo”, completou. Há dez anos fora da Nicarágua, ele já morou em NYC, onde trabalhou por 7 anos em um restaurante famoso, e São Paulo, onde dá aulas de inglês.

A neo-zelandesa me confessou: “Sinto que aqui existe uma pressão muito grande por você aparentar que tem dinheiro. Precisamos estar sempre mostrando marca, mostrando carro, meus vizinhos são assim e, como não somos, sentimos que somos tratados diferente”, disse ela, que é casada com um brasileiro e tem dois filhos. Há 4 anos no Brasil, ainda não sabe falar direito a língua (apesar de entender bem). Já morou na Filipinas, na Argentina, Nova Zelândia e Australia. Ela não trabalha.

“Está muito difícil para ele (o estadunidense) conseguir alguma coisa decente aqui em SP. Inclusive, ele está com um problema para resolver com a operadora de celular e não consegue, já foi 3 vezes na loja e a atendente não tem paciência com ele, que fala português bem mal”, disse a mulher dele.

Ele (o estadunidense) veio pro meio da roda de amigos e disse (em inglês): “Você fica 4 dias no Brasil e acha tudo lindo, mas quando começa a morar vai enfrentando as dificuldades, muda de ideia”. O rapaz veio para o Brasil recentemente para casar. Lá trabalhava com suporte de IT, aqui dá aula de inglês.

O argentino limitou-se a ouvir. Não concordou, nem discordou. A situação dele é diferente: ele fala português, mesmo que com sotaque, e veio para o Brasil transferido pela empresa.

Um deles soltou: “SP é muito legal, nos acolheu de alguma forma, mas também nos fez perceber o valor das cidades que vivemos, nos fez ter vontade de voltar pra casa”. Todos dão risada e confessam que planejam ir embora em menos de 2 anos.

 
*Publicado originalmente no Facebook em 7/Mai/2012
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