O que a chatice pode, utopicamente, nos trazer

Se existe uma coisa boa em todo esse moralismo ficcional do mundo atual é a pressão que consumidores passaram a exercer nas corporações. Toda essa moralidade cobra atitudes sustentáveis e éticas para cada produto consumido e a empresa que destaca e prova constantemente tal premícia sai na frente no mercado. Analisando quase que superficialmente, este

pode ser o caminho para um capitalismo mais social (ou humano, como me disse meu amigo Marcos Skuropat). Mas só, e apenas só, se a coisa toda não for deixada de lado, se de fato os discursos passarem para a realidade… E, o principal, se viramos, sei lá, um platena diferente cheio de pessoas boas e que não se interessam em disputar poder…

Reclamo muito da pressão para que o um mundo seja politicamento correto o tempo todo (o que causa uma ansiedade tremenda, já que seres humanos não são 100% corretos). Mas talvez, pensando melhor, se isso for sublimado do indivíduo e passasse a ter como alvo não mais pessoas e sim corporações… Talvez (e digo isso sem muita certeza e mirando a lua) poderemos começar a seguir o caminho para uma sociedade mais justa…

Explico: corporações, que julgo concentrarem boa parte da renda mundial, podem instalar-se em lugares subdesenvolvidos, criar equipes, mandar gente boa e investir no desenvolvimento de profissionais e infraestrutura local. Pra vcs que me conhecem e que estão lendo isso, sei que vai parecer que que mudei de lado (e acho que tenha mudado mesmo nos últimos anos – quem foi que disse que o socialismo passa com a idade?), mas percebo que as corporações podem investir parte do que ganham em desenvolvimento local e gritar para todo mundo ver o quanto eles são bonzinhos. Mesmo que, prioritariamente, não seja por motivos justos e corretos e de pessoas de bom coração, mas sim visando ganhar mais dinheiro (pagamento de salários mais baixos, baixo custo de infraestrutura, dedução de impostos)… Aliás, não me importo muito quais os fatores motivadores das corporações investirem em, sei lá, Burkina Faso… O que me importa é que, se investirem, podem mudar um pouco a realidade local.

Aí vocês me perguntam o que acontece com o local que a empresa saiu? Por exemplo, o que acontece com os funcionário americanos da Ford se a fábrica for transferida para Burkina Faso. A minha resposta é: um funcionário americado, já desenvolvido, tem muito mais capacidade de seguir a sua própria vida (mesmo que com dor e aos trancos e barrancos) do que a população inteira de Burkina Faso – sim, é extremamente cruel, sei que alguns vão sucumbir, mas é real (dá pra ver que estou bem mais egoísta, né?). E, no final, ampliando geologicamente e temporalmente, talvez o mundo chegue a um equilíbrio aceitável entre probreza e riqueza… Mas, como já coloquei, isso é tão utópico, mas tão utópico que fico até com vergonha de publicar…

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