Livros

“Uma pessoa que não lê não desenvolve espírito crítico nunca” Serginho Groisman no Homens Possíveis.

Comecei a gostar de ler quando criança exatamente com a série “Para Gostar de Ler” na escola. Acho que era na quarta ou quinta série. Porque gostei muito, meus pais compraram a coleção toda e eu devorava todos eles, um a um. Depois, foi a vez de Pedro Bandeira (A Droga do Amor, A Droga da Obediência, etc…); Lygia Fagundes Telles; Cartas a meu Filho; Meu Pai, meu Herói; o Mundo de Sofia… Devorei cada um deles. Tinha até alguns livros que vc escolhia o caminho a seguir, não sei se vcs lembram disso. Eu lia todas as alternativas e os diferentes finais.

Lembro o primeiro livro que comprei por mim: Insônia, de Stephen King. Comprei aos 14 anos para enfrentar uma viagem que, para mim, demoraria horas e horas – o intercâmbio a Cambrigde, na Laselva de Cumbica (até hj passo lá antes de embarcar e até hj minha relação viagem e livro se mantém). Era um livro enorme, pesado, e eu ficava me perguntando se eu iria conseguir ler tudo aquilo. Quando voltei, me enfiava na biblioteca para ler os livros do mestre do terror (Sonho de Verão; Carrie, a Estranha; o Iluminado; Os Justiceiros, etc…). Matava aula para ir ao Centro Cultural São Paulo ler livros, sentava lá no fundo da classe para ler Brumas de Avalon (e a professora não sabia que incentivava a minha leitura ou se brigava para eu prestar atenção na aula). Li Sydnei Sheldon com 17 anos (q vergonha, rsrs).

Li o primeiro Saramago nos primeiros anos de faculdade. Lembro até hoje primeira vez que peguei o primeiro livro dele nas mãos. Foi em uma Bienal do Livro… E eu estava com medo, muito medo de não entender aquele livro, medo de ler as cenas que tinha ouvido falar. Mas fui em frente… Li Ensaio sobre a Cegueira aos 19 anos em 5 dias. E lembro das cenas até hj.

Minha história com leitura sempre foi assim. Eu sempre li, sempre estou lendo alguma coisa, muitas vezes, mais de um livro por vez. Disso eu me orgulho de verdade, pq gostar de ler não é algo natural entre os brasileiros. Ler desde criança tb não.

Sempre pergunto aos meus pais como eles fizeram para isso acontecer. Até hoje, eu não sei… Não sei se foi algo meu mesmo ou algo passado por eles. Mas a certeza é que foi algo que, assim que eles perceberam, eles me incentivaram muito, não medindo esforços para me dar livros. E eu adoraria passar esse amor pelos livros para as pessoas; quem sabe para meus filhos, quando eu os tiver. Porque acho que a leitura fez alguma diferença em mim!

*Publicado originalmente no facebook em 14/Mai/2012.
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Ser feliz, por Morin

Ser feliz é trabalhar? É amar? É política?

“Você deve saber que o operário é individualista, só pensa nele mesmo. O cara tem um salário, trabalha para ele… Trabalha e economiza e se priva de tudo para dar impressão de ter muita grana, mas na verdade é um Zé Ninguém”

Você é de verdade? Quando não estamos atuando? Quando as pessoas não estão atuando? Existem pessoas de verdade vivendo em sociedade? Só somos verdadeiros quando estamos sozinhos e à beira da histeria”.

Isso (e muito mais) são as discussões propostas nesse documentário de 1961, feito por Edgar Morin e Jean Rouch. É meio confuso, mas vale a pena! O filme, que tenta ser o cinema-verdadeiro, é um retrato da juventude parisiense daquela época. O interessante é notar que, depois de 50 anos, as questões continuam praticamente as mesmas.

Quem quiser se aprofundar mais no filme, aqui vc encontra um artigo publicado em 1968 sobre o filme: http://www.escrevercinema.com/Chronique_dun_ete.htm
*Publicado originalmente no Facebook em 20/Jan/2012

Pulsa arte

Precisamos da arte, pq ela liberta, comunica, nos explica, nos mostra o mundo (o nosso mundo, o mundo do artista, incluindo a época, o país, a história, o contexto). E nos aproximas do que é belo, mesmo que o belo não seja de fato belo como estamos socialmente acostumados.

Não existe ser-humano sem arte, qualquer arte (música, pintura, projeção, desenho rupestre, escultura, poemas, histórias). Desde os primórdios, antes mesmo de sermos homo-sapiens, havia arte. E podemos o

lhar para esses objetos que pararam no tempo, atravessaram séculos, daquele mesmo jeito. É fantástico.São Paulo precisa de mais arte. De arte de rua, de artistas de rua; de música de circo, malabares alegres, fanfarras no farol, de pinturas. São Paulo precisa de artistas pra se caracterizar, para que saia dessa atmosfera cinza, sufocante e feia. Precisa de mais coisas assim:

*Publicado originalmente na Timeline do Facebook em 10/Jan/2012.

Veja! Tetro

Ignorado pela imprensa especializada brasileira, o filme Tetro, escrito, produzido e dirigido por Coppola, é absurdamente bom. É daqueles que se tornarão clássicos daqui há alguns anos, serão referência nas aulas de crítica e cinema. Desde 1974 que Coppola não se dedicava ao cinema autoral e, com Tetro, ele prova que ainda é o mesmo gênio de Apocalipse Now e O Poderoso Chefão.

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Com fotografia absurdamente linda, recurso visuais belamente usados, história e argumento perfeito, Coppola mostra porque é Francis Ford Coppola e merece respeito. Filmado na Argentina, conta a história de Tetro, um artista (um gênio, descobre-se) atormentado pelo passado da família. Bennie, irmão mais novo de Tetro, surge em Buenos Aires, onde mora atualmente Tetro, e começa a revirar o passado. Descobre-se, aos poucos, o motivo da relutância de Tetro encarar os dramas familiares que passou, que – como dito – destruiu uma família com tanto potencial.

Aos poucos, Tetro vai curando suas loucuras com a ajuda da arte, a mais bela arte pode-se dizer – o que gera lindíssimos planos cinematográficos. Enquanto a realidade se pinta em preto e branco, as memórias – traduzidas em peças teatrais por Bennie (irmão mais novo de Tetro) – vão colorindo fortemente o filme.

É belo, belíssimo. Fiquei estonteada. Tinha tudo para ser sucesso de crítica, a exemplo de Melancholia que, apesar de bom, não é nem metade do que Tetro é. O único defeito que achei foi a atuação dos dois atores que interpretam Tetro (Vicente Gallo) e Bennie (AldenEhrenreich). Quer dizer, a atuação é boa, mas não o suficiente para esse filme. Na realidade, a atuação destoa dos personagens, causando estranhamento. Dá a impressão de que os atores, no filme, são mesmo atores interpretando aqueles personagens e não as personagens reais.

Tetro foi lançado aqui no Brasil no final do ano passado. Fiquei sabendo dele apenas recentemente, quando estava procurando novos filmes para ver. Não consigo ainda entender o porquê desse filme ter sido tão ignorado. Será que faltou promoção? Será que Coppola não “agradou” as pessoas certas?


Clipes: plágio, homenagem ou tendência?

Quando Radiohead lançou Lotus Flower, em fevereiro deste ano, comentei que a técnica de edição usada era incrível. E continua sendo. A movimentação de Thom Yorke causa um certo estranhamento, mas muitos não conseguem perceber o porquê.

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É a falta de frames, o que aconteceu muito com filmes antigos. Só que, na época, a falta de frames era um problema técnico. Antigamente, as gravações eram feitas em rolos de filmes parecidos com as bobinas fotográficas que se usava para fotografar antes do formato digital (lembra que tinha que levar pra revelar, ampliar? Nem faz tanto tempo assim). E o processo de edição era totalmente manual (cortava-se o filme e colava-se em outro pedaço, como bem explicado pelo Clube da Luta).

Com o tempo, algumas partes desses filmes perderam-se, ou queimados pela forte luz do projetor da época, ou rasgados, furados e simplesmente perdidos. Quando se vê filmes antigos hoje, percebemos alguns “pulos”, que é exatamente essa falta de frames (você pode ver um exemplo em “O Cão Andaluz”, de Dali e Buñuel, clicando aqui).

Nesse clipe do Radiohead, eles retiraram propositalmente alguns frames – só o suficiente para deixar o movimento um pouco picotado, sem exagerar muito para justamente causar tal estranhamento. Então, o cérebro acha que é a movimentação da pessoa é estranha, mas na verdade é a falta de frames. Genial, não?

Bom, a mesma técnica foi usada no novo clipe da Florence and the Machines (Shake it Out), mais para o final, quando ela dança – o que ficou bem bacana, por ser discreto. E exageradamente no controverso Countdown, na Beyoncé. Ambos você pode conferir abaixo.

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Seria tudo isso um plágio, homenagem ou simplesmente tendência?

Troca de Livros

Caros leitores,

Estou promovendo a troca dos livros da minha biblioteca. Não precisa ser para sempre, podemos destrocar. Publico aqui a lista dos livros que eu lembro ter. Mais tarde atualizo, olhando diretamente para minha biblioteca. Interessou? Comente aqui!

  • Bachman, Richard – Os Justiceiros
  • Barthes, Roland – A Camara Clara
  • Bolaño, Roberto – Putas Assassinas
  • Buarque, Chico – Leite Derramado
  • Capote – Truman – À Sangue Frio
  • Capote, Truman – Os Cães Ladram
  • Carlin, John – Conquistando o Inimigo
  • Cobra, Nuno – A semente da vitória
  • Coetzee, J.M – Verão
  • Coetzee, J.M. – Desonra
  • Doyle, Conan – Sherlock Homes – Short Stories
  • Dubois, Philippe – O Ato Fotográfico
  • Fieldening, Helen – O Diário de Bridget Jones
  • Flusser, Vilém –  Filosofia da Caixa Preta
  • Gaarder, Jostein – O Mundo de Sofia
  • Gomes, Laurentino – 1808
  • Gomes, Laurentino 1822
  • Hornby, Nick – Fever Pitch
  • Hosseini, Khaled – O Caçador de Pipas
  • Karnazes, Dean – 50 maratonas em 50 dias
  • Le Clezio, J.M.G. – Peixe Dourado
  • Lispector, Clarise – A Hora da Estrela
  • Lucena, Rodolfo – + Corrida
  • Luftm Lya – A asa esquerda do Anjo
  • Marques, Gabriel Garcia – Cem anos de solidão
  • Marques, Gabriel Garcia – Viver para contar
  • Mendes, Oswaldo – Bendito Maldito
  • Myron, Vicki – Dewey: um gato entre livros
  • Saramago, José – A Viagem do Elefante
  • Saramago, José – Ensaio sobre a Cegueira
  • Saramago, José – Ensaio sobre a Lucidez
  • Saramago, José – Intermitências da Morte
  • Saramago, José – O Homem Duplicado
  • Seierstad, Åsne – O Livreiro de Cabul
  • Soares, Jô – O Homem que Matou Getulio Vargas
  • Sontag, Susan – Sobre Fotografia
  • Tolkien, JRR – Senhos dos Anéis 1, 2 e 3
  • Trotsky
  • Veríssimo – As Mentiras que os Homens Contam
  • Veríssimo – O Mundo é Bárbaro
  • Zusak, Markus – A Menina que roubava livros

 

Never been pretty

Não sou bonita. Nunca fui. Nunca chamei atenção das pessoas apenas por estar ali e sem abrir a boca. Sou diferente, exótica. Quando criança, estudei em um escola alemã, em que a grande maioria das garotas era loirinha, de olhos claros e pequena. E eu, sempre fui grande, em muitos anos, uma das maiores da minha classe (ficava lá atrás na fila da festa junina, sem possibilidade alguma de ser a noivinha).

Minha condição de olhos puxados bem escuros, cabelos pretos e lisos, cara achatada e um narizinho de batata, naquele cenário de pessoas pequenas e loiras, me fez ser vítima de gozação (ou buylling, nos dias de hoje). Mas tb, não morri, fui vivendo, com algumas marcas, mas fui vivendo. Enfrentei do jeito que podia…

Mas, tudo isso me deu uma vantagem. Aprendi a chamar atenção com substância. Desde criança leio muito, começando com contos de fadas, passando por Pedro Bandeira e chegando aos Nobels. Vejo muitos filmes, ouço muita música, leio muita notícia – o que me faz conseguir conversar sobre praticamente qualquer assunto. E sou simpática, sorrio muito, dou muita risada e faço muitas brincadeiras. Tento, na medida do possível, manter uma atmosfera boa, alegre, energizante e de liberdade (esta última, tenho que dizer, é o que eu mais gosto em mim). Além disso, tento melhorar sempre: gosto de moda e de maquiagem, corro e tenho uma alimentação relativamente saudável.

Aí vc me pergunta: por que esse texto neste blog? Bom, é um desabafo. E para falar que conteúdo é importante (mais importante, até) e para te convencer que todas essas bobagens de filmes, livros e músicas te fazem uma pessoa melhor, mais interessante. Além disso, é muito importante se esforçar ao máximo para ser simpática, coerente e manter uma atmosfera leve ao seu redor (ninguém gosta de gente que emana aquela energia negativa). Sou prova absoluta de que tudo isso dá certo.

Se você, como eu, não passou na fila da beleza várias vezes e também ainda não começou a se dedicar a “ser mais interessante”, nunca é tarde. Comece simples, devagar. Como, por exemplo, pelo cinema. Fiz uma seleção de 4 filmes lindos, que podem ajudá-la a gostar de filmes.

Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s)

Por quê? É um marco do cinema, das histórias românticas que eu particularmente adoro. É histórico e é lindo! Fala do alpinismo social e de prostuição de forma simples e incrivelmente leve. Tem que ser visto por qualquer mulher. (Veja aqui o trailer)

Dançando na Chuva

Por quê? Esse filme é uma ode ao cinema e aborda, de forma leve, o período em que o cinema passou de mudo para falado. É necessário! (Veja aqui a cena mais famosa do filme)

O fabuloso destino de Amelie Poulain

Por quê? É um filme que vai além do filme. Brinca com todos os sentidos, enche os olhos, os ouvidos… Tem momentos que parece que você sente o cheiro, o sabor e o tato das daquilo que acontece no filme. É lindo, lindo… (Veja aqui o trailer)

Simplesmente Amor

Por quê? Porque ele, simplesmente, alterou a concepção do que era comédia romântica. São 8 pequenas histórias românticas, uma diferente da outra, que acontecem no decorrer do filme e que são simplesmente encantadoras. Além disso, trabalha com tamanhas frustrações… Fico até com falta de ar de lembrar de algumas cenas… (Veja aqui o trailer)