Sorriso

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Essa é velha, de 2007. Achei por lembrança: vi uma foto de trilhos, lembrei de uma amiga, lembrei do meu antigo blog, lembrei do meu fotolog, lembrei das fotos de 2007, lembrei desta foto. A história: fui convidada a fotografar uma viagem da STB para África do Sul. No final, as imagens mais turísticas foram parar em uma exposição, outras (como esta) guardei para mim.

Era uma tarde de sol, visitávamos os prédios oficiais em Cape Town. Em busca de boas fotos, me afastei do grupo. Parei ao lado de um lago e olhei em volta: crianças de escolas passeavam por ali. A segregação na África do Sul, mesmo de depois de anos do fim de Apartheid, continuava explícita. Crianças negras e brancas não estudavam na mesma escola. A exceção foi uma turminha de verde, bem novos. Cheguei a ver duas crianças de mãos dadas: uma meninha branca de tão loira e um menininho negro como café. Achei singelo.

Parei na frente de uma turma um pouco maior e pedi para fotografá-los. Todos se aglomeram em minha volta, implorando para que eu tirasse deles também. Do ensaio, tenho umas 20 fotos com crianças posando, correndo e sorrindo. Contudo nenhuma bate esta. Consegue saber o porquê?

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Final de tarde!

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Adoro a luz do final de tarde. Tem dias que tudo está especialmente mais bonito, com tons alaranjados, amarelados e azulados. Adoro as fotos com essas cores, adoro os raios do sol quase se pondo por entre árvores e prédios. O momento dura apenas alguns instantes, a cada estação do ano é diferente. Sempre olho e, no caso, fotografo. O mais esquisito é que nesse milésimo de segundo, sem mais nem menos, uma poesia invade o ar de São Paulo – que de poética nada tem. O trânsito, de caótico torna-se agradável, dá uma pausa para olhar, e o céu tinge-se de Vanilla ou brigadeiro. Logo, a magia acaba e quase ninguém nota…

Você olha São Paulo?

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Declaro oficialmente que fiz as pazes com a fotografia, depois de quase 4 anos sem vontade de pegar numa câmera. Percebi que o peso e cobranças do profissionalismo me abandonaram e o trauma dos mais de três anos de profissão foi completamente superado. Voltei a “fotografar com os olhos” e a “pensar em imagens”. Fiquei muito feliz.

Para os que me conhecem sabem o quanto eu gosto de olhar: pessoas, casas, prédios, luzes, formas, cores… Meu olho não para, é até irritante para quem conversa comigo. São Paulo tem muito para olhar, mas poucos realmente a notam. Tanta correria, tanto trabalho. A cidade está aí, todos os dias para ser olhada e ninguém ao menos olha para o céu.

Semana passada dirigia sozinha pelas ruas de Moema no final da tarde. Olhei para cima e me espantei: o céu de fogo. Quase ninguém reparou e ninguém comentou. Foi aí que veio o desespero de fotografar. Parei em muitas esquinas para tentar fotografar, na última consegui esta foto. Não é boa no enquadramento, nem ao menos na qualidade (foi tirada com celular), mas impressiona pelas cores. Deveria ter estacionado e saído do carro, mas estava atrasada, como sempre!

O importante é que nesse dia percebi a falta que me faz fotografar. Mas tem que ser assim, descompromissado, despretensioso, só um pequeno prazer de guardar para sempre cenas fugazes de um dia qualquer.