Lançamento: Bendito Maldito, de Oswaldo Mendes

Ontem, 28 de outubro, foi o lançamento da biografia de Plínio Marcos, Bendito Maldito – Uma Biografia de Plínio Marcos. Escrita por Oswaldo Mendes, o livro conta com depoimentos de pessoas importantes do teatro, jornalismo e televisão, mas acima de tudo amigos de Plínio Marcos.

O coquetel foi no Tuca Arena e teve a presença de ilustres convidados, como as atrizes Nydia Licia e Ligia Cortez e os atores Sérgio Mamberti, João Acaiabe, Marco Ricca, Antonio Petrin e Emílio Fontana. Durante toda a noite, houve um “ato teatral”, dirigido por Marco Antonio Rodrigues, em que esses artistas interpretaram textos de Plínio. Um dos melhores foi parte do texto sobre os conflitos de um palhaço, por Antônio Petrin.

Não li o livro ainda, mas pelas descrições e relatos parece ser muito bom.  Comprei o livro lá, me custou R$ 44,90. Nos sites da Livraria Cultura e Submarino, o preço é R$ 35,92.

Veja abaixo uma reportagem da Record feita no ano em que Plínio completaria 70 anos, que conta um pouco da história do “sucessor de Nelson Rodrigues”, segundo o próprio Nelson.

A história que contam os livros

photo0326Gosto mesmo é de livros velhos. Daqueles que a maioria despreza: sujos, com a capa marcada no meio pela dobra da leitura e com as páginas amassadas nas pontas pelas quedas. Sinto um orgulho imenso quando pego meus livros e os encontro assim, desse jeito. São as marcas do uso, das inúmeras leituras repetidas e das  minhas aventuras como leitora. Quanto mais lido o livro, mais sujeiras ele tem.

Naquilo que é visto pelos compradores de usados como depreciativo, eu encontro histórias. O meu “Ensaio sobre a Cegueira” tem marcas de uma espécie de óleo nas páginas, com cheiro de banana. Vasculhando a memória, recordo que o li durante a semana que passei da Guarda do Embaú (usei o bronzeador Banana Boat!). Achei, no “Cem Anos de Solidão” vestígios de café e, instantaneamente lembrei-me do dia que esperava uma amiga, lendo o livro e saboreando um expresso do Café Donut´s de Moema.

Em vários, acho marcas de esmalte, denúncias da cor escolhida no exato momento que lia, talvez pela primeira vez, àquelas frases. No primeiro livro da série “O Senhor dos Anéis” achei marcas verdes e lembrei a minha adolescência, época que pintava as unhas das cores mais bisonhas. No “Desonra” achei linhas vermelhas escuras espalhadas, lembrando-me que há tempos gosto de cores fortes nas mãos.

Cada vez que olho meus livros, acho traços de onde estive; acho histórias que as palavras não contam; acho fatos escondidos e quase esquecidos, mas que estão ali – na lágrima, no sangue, no perfume, no grão de areia.

Quando empresto um livro, espero que as pessoas notem as marcas, pois quando pego emprestado sempre reparo nas sujeiras dos outros (quem me conhece, sabe que adoro buscar por detalhes que ninguém percebe nas ruas, filmes e fotografias). Quando o livro já não me interessa tanto, imagino uma nova história para aquela marca. Isso, sim, é impagável!

Foto: “A Menina que Roubava Livros” em Ilhabela – um livro que se esforça, mas não é bom de fato.

Lendo: “A Viagem do Elefante” que, mesmo sendo um pouco fraco em realçao às outras obras de Saramago, é acima da média.