Mulher de 25

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Não me considero uma mulher madura, mas sei que estou melhor do que antes. Como um bom vinho, nós melhoramos com o tempo – pelo menos no interior. Sempre imaginei que o tempo levasse a maior parte das contradições. Hoje, tenho convicção de que questões existenciais e confusões mentais não passam com os ponteiros do relógio. E, por desistir de tentar resolvê-las, sou mais feliz que há alguns anos.

Considero-me um exemplo perfeito de mulher jovem deste século. Preocupo-me com minha carreira, com a moda, com o corpo, com bem-estar, com a cultura, tudo em demasia. Estou sempre atrás das últimas tendências de moda e beleza, das novidades do cinema e da literatura, de aprender sobre música e política. Estou sempre de dieta, corro para manter a forma e aliviar o estresse, faço academia quase todo dia, digo que amo alface e sou neurótica com meu peso.  Gasto quase todo meu salário em roupas, bolsas e sapatos, tratamentos de cabelo e pele e, ao mesmo tempo, tento estar sempre ligada nas últimas notícias. Trabalho com o que amo, tento não levar trabalho para casa, mas adoraria ter mais responsabilidades e maior salário que, provavelmente, gastaria em mais roupas, tratamentos de beleza e futilidades. Tento ser segura de mim, mas me sinto péssima quando ignorada; tento parecer moderna, mas odeio quando me sinto usada.  Meu melhor amigo é gay, sou noiva de um chefe de cozinha e adoro me expressar. Faço tudo isso, sem deixar de lado o sonho de ter um marido exemplar e filhos adoráveis.

Todos esses quereres me fizeram constatar que sou tão contraditória quanto discursos jurídicos. Transito pelos pólos da independência feminina, tão quista no passado, e da dependência masculina, por um homem suficientemente forte e bom para me por na linha e (assumo!) me sustentar.

Contudo, tenho convicções quase certas e perfeitas do que quero para meus próximos anos – mesmo que, por ironias da vida, apareçam obstáculos que tendem a me fazer desviar dos caminhos definidos. E, ironicamente, eles sempre aparecem quando menos esperamos.

A conclusão que tiro, com muito e pouco tempo de vida, é que mulher não é um conceito físico e previsível. É ser frágil e independente, forte e sentimental, carente e amante, e mutável.

Quer provas? Quem sabe da próxima vez.

Para acompanhar: Um Chai Latte do Starbucks, suficientemente picante.