Primeiras (e últimas) palavras sobre as chuvas fortes no Sudeste Brasileiro

Chuvas e Mata Atlântica

No blog do excelente jornalista Flavio Gomes:

“Ainda sobre tragédias, é bom que se diga que a Mata Atlântica sempre foi muito sensível a chuvas fortes, a constituição das montanhas é propícia ao encharcamento e deslizamentos violentos de pedras e árvores, além de terra em quantidades fenomenais. Um desastre ainda maior que o da semana passada aconteceu em 1967 na Serra das Araras, com o número de mortes estimado em mais de 1.700, conforme o relato estarrecedor deste site aqui.

Fui, portanto, pesquisar um pouco sobre a tal Mata Atlântica, que deveria estar aqui ao invés de nossas ruas pavimentadas e edifícios atuais. Para minha não surpresa – que que me lembro bem das aulas de Geografia do colégio – um dos fatores essenciais para a construção da vida neste bioma é a água. Essa mesma água que está destruindo as encostas desmatadas e peladas que deveriam ter, ao invés de casas irregulares, árvores de copas altas e folhagem densa (a fim de proporcionar a correta umidade para garantir a vida neste ambiente).

Vocês pensam: mas as alterações de solo e a influência humana afetam diretamente o clima da região, fazendo com que, em alguns lugares, haja a desertificação por falta de chuvas. Pois eu te respondo: as chuvas, que se criam em nosso ecossistema, são causadas pelas montanhas que barram a passagem das nuvens carregadas. É por isso que, deste lado, o solo é úmido e do outro lado temos as grandes secas. E montanha não mudou e não mudará de lugar, a não ser no caso de Maomé.

Conscientização é preciso

Li no UOL:

“Com esse dinheiro, eu só consegui achar uma casa aqui. Também, como eu não conheço ninguém e estou acostumada com esse bairro, voltei para cá. Mas aconteceu de novo”, lamenta. (moradora que perdeu a casa 2 vezes em deslizamentos causados pelas chuvas em Nova Friburgo).

Acho que não preciso escrever mais nada, né?

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Superação

Correr é superar, sempre. Superar a preguiça de sair da cama pela manhã. Superar a vontade de ir direto para casa depois de um dia cheio de trabalho, se jogar no sofá e ficar de pernas para o ar. Superar a chatice que é fazer musculação. Superar a dor no pé e a moleza nas pernas depois de uma hora de percurso. Superar o sol, a chuva, o frio, o calor…

Mesmo para os viciados, as vontades humanas atrapalham. Quem nunca quis ir para o bar com os amigos ou se afundar em pizza no final de semana de corrida? Ou então acordou e estava aquele tempo feio, quase garoando, e pensou: “acho que hoje não vou, não”? Nesses momentos sempre lembro: Deus me fez perfeita e me deu a possibilidade de fazer algo que amo muito; que considero “melhor do que muita que existe”. Então, porque raios eu vou sucumbir à preguiça?

E é bem nos dias que faço um esforço tremendo para ir treinar que encontro no Ibira exemplos que deixam a minha superação no chinelo. Encontro deficientes físicos ou visuais, amputados, mães com bebês em carrinhos… Chego até a ficar com raiva de mim, por não estar me esforçando mais.

Pensando nisso hoje, depois que passei uma semana de molho por causa de uma infecção urinária mais forte e remédios mal receitados, lembrei de um vídeo fenomenal que sempre, sempre mesmo, me faz chorar. Isso sim é superação e entrega!

PS: Eu sonho com o dia que completarei o Ironman! Quando isso acontecer, vou até tatuar na perna! Deixei um espaço especialmente reservado!

I´m a day girl!

Se tem uma coisa que não gosto de abrir mão é ir a praia durante o Réveillon. Para mim, o ano não começa bem se eu não pulo minhas sete ondinhas, bebo espumante à beira mar, pulo na areia descalça parecendo criança e vejo uma queima de fogos na orla. É sempre assim, independente do ano.

E gosto do antes também! Na praia, acordo cedo e sem preguiça, sem reclamar. Às 7h:

– Amor, o sol, o sol! Vamos à la praia, ôôôôô… Bom dia, dia! Bom dia, sol! Bom dia, mar! Bom dia, pássaros! Bom dia, Amor!

Às 8h, depois do café da manhã reforçado (para poder ficar até as 16h na praia), inúmeros cremes no corpo e cabelo depois e kit diversão (maçã, frescobol, protetor solar, livro e boné) às mãos:

– Amor, vamos logo!

Às 8h30:

– Amor, estou indo. Me encontra lá!

Às 15h/16h volto, almoço e descanso. Às 18h vou correr e, como é horário de verão, ainda é dia! Nada de criativo, todo ano é a mesma coisa. E todos os dias de viagem. Na praia tenho ataque de felicidade, vejo o sol e meu semblante brilha. Pareço criança na Disney ou coisa parecida.

Eu queria morar no Rio! Iria correr todos os dias na praia, mergulharia no mar para tirar o suor, iria para casa tomar banho e só então, trabalho! Sonho de consumo, sonho de vida. Eu sou assim, a menina do dia, que acorda cedo, que adora praia, que dorme cedo. Não consigo viver claustrofóbica, sem luz, sem sol, sem olhar para fora!

Neste réveillon, provavelmente estarei na Ilha Bela. Se não der certo, vou ter que filar uma caminha para dois em alguma casa de praia de meus amigos! Alguém me convida? rs

Reforma agrária e Band News FM

Hoje pela manhã fiquei impressionada com o Editorial que a Band News FM veiculou no horário comandado pelo brilhante Boechat. Dessa vez, a indignação da Rede Bandeirantes foi a aprovação do governo Lula de alguns termos estabelecidos pelo MST (Movimento Trabalhadores Rurais Sem Terra) – mais especificamente sobre a atualização dos índices de produtividade para a desapropriação e efetivação (em partes) da reforma agrária tão prometida nas campanhas eleitorais do presidente.

Não sou a favor do socialismo, comunismo e afins, mas acredito piamente na necessidade de uma reforma agrária justa e benéfica para a produção agrícola brasileira. Acho, de fato, um absurdo que terras imensas sejam mantidas pelos marajás brasileiros, sem nenhuma funcionalidade. Afinal, terras são espaços e, no mundo de hoje, esse é um dos problemas que atravancam a produção de alimentos no mundo – que é uma preocupação constante para daqui há alguns anos. Ou seja, terras improdutivas não só atrapalham a economia do país, como também contribuem para a fome no mundo, mesmo que indiretamente e exageradamente.

Enfim, a Band News FM – que tanto respeito – caiu no meu conceito a partir do momento que defendeu os interesses de uma minoria dominante, sem ao menos expor o outro lado da história. Jornalismo muito feio.

Tentei achar o link com a gravação, mas não consegui no site da emissora de rádio. Segue abaixo o link do Brasil de Fato, comemorando a atualização dos índices que se mantinham os mesmos desde 1975.

A história que contam os livros

photo0326Gosto mesmo é de livros velhos. Daqueles que a maioria despreza: sujos, com a capa marcada no meio pela dobra da leitura e com as páginas amassadas nas pontas pelas quedas. Sinto um orgulho imenso quando pego meus livros e os encontro assim, desse jeito. São as marcas do uso, das inúmeras leituras repetidas e das  minhas aventuras como leitora. Quanto mais lido o livro, mais sujeiras ele tem.

Naquilo que é visto pelos compradores de usados como depreciativo, eu encontro histórias. O meu “Ensaio sobre a Cegueira” tem marcas de uma espécie de óleo nas páginas, com cheiro de banana. Vasculhando a memória, recordo que o li durante a semana que passei da Guarda do Embaú (usei o bronzeador Banana Boat!). Achei, no “Cem Anos de Solidão” vestígios de café e, instantaneamente lembrei-me do dia que esperava uma amiga, lendo o livro e saboreando um expresso do Café Donut´s de Moema.

Em vários, acho marcas de esmalte, denúncias da cor escolhida no exato momento que lia, talvez pela primeira vez, àquelas frases. No primeiro livro da série “O Senhor dos Anéis” achei marcas verdes e lembrei a minha adolescência, época que pintava as unhas das cores mais bisonhas. No “Desonra” achei linhas vermelhas escuras espalhadas, lembrando-me que há tempos gosto de cores fortes nas mãos.

Cada vez que olho meus livros, acho traços de onde estive; acho histórias que as palavras não contam; acho fatos escondidos e quase esquecidos, mas que estão ali – na lágrima, no sangue, no perfume, no grão de areia.

Quando empresto um livro, espero que as pessoas notem as marcas, pois quando pego emprestado sempre reparo nas sujeiras dos outros (quem me conhece, sabe que adoro buscar por detalhes que ninguém percebe nas ruas, filmes e fotografias). Quando o livro já não me interessa tanto, imagino uma nova história para aquela marca. Isso, sim, é impagável!

Foto: “A Menina que Roubava Livros” em Ilhabela – um livro que se esforça, mas não é bom de fato.

Lendo: “A Viagem do Elefante” que, mesmo sendo um pouco fraco em realçao às outras obras de Saramago, é acima da média.

A morte das coisas vivas

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Há tempos, tive uma conversa com uma amiga. Ela, uma mulher inteligente e bem resolvida, me explicou que a única maneira de acabar com alguma coisa que incomoda é matar a causa deste sentimento. Claro que o matar no sentido figurado.

Desde então, tenho inventado as mais diferentes mortes às causas de minhas tristezas. Por mais mórbido que pareça, a técnica, surpreendentemente, ajuda a superar coisas inimagináveis. Já matei falsas amigas enforcadas, doenças queimadas e pensamentos afogados. Já torturei cruelmente amores passados, empurrei da escada caminhos desviado e atirei em catástrofes naturais.

Segue, então, na íntegra, mais uma das tantas mortes que forjei em meus pensamentos.

Por mais que insistisse em não ver, a coisa insistia em escancarar-se em minha frente. Silencioso, ele foi tomando proporções tão grandes que não consegui entender como ninguém perceber. Assustador, assustador.

De uma hora para outra, ele me tomou a cabeça de tal forma que não consegui pensar ou fazer mais nada. Isso durou longos dias que, hoje, parecem meses. Tentei fugir, tentei esquecer, mas não adiantava. Quanto mais corria, mais me alcançava. Quanto mais seguia, mais me aproximava.

Foi então que virei e o encarei com medo, mas de frente. E a coisa era horrenda, horrenda. Um tremor me tomou dos pés a cabeça e, quase sem forças – estava sem comer a dias – tomei coragem de atacar.

Com um bisturi que achei em qualquer lugar que não recordo, esmurrei, cortei, rasguei, odiei e gritei. A coisa gritou, esperneou, insistiu e sangrou. Muito. A luta, acirrada, quase foi perdida por mim. Entretanto, com uma força vinda de algum lugar que não conheço, bati, rasguei e cortei-o em mais de mil pedaços. Despedacei-o gritando, chorando, suando, em desespero e lotada, lotada do sangue que saía daquele troço. E, a cada gota do fluído vermelho que lhe lotava as veias e me sujava a cara, minha raiva e força cresciam. Tanta raiva, tanta raiva… Tanto medo, tanto medo…

Foi, então, que parou. Não se mexia mais. Cutuquei e cutuquei de novo. Nada, nem uma reação. Então soube, tinha derrotado aquela deformidade assustadora. Olhei para os lados e vi que não estava sozinha. Comigo, me dando forças, estavam meu pai, minha mãe, minhas irmãs, meus tios, meu primo, um amigo, meu noivo e Deus. Todos unidos para derrotar aquilo que mais odiei até então – e provavelmente o que mais vou odiar –, o câncer que meu pai teve.

Até hoje, ele assombra, mesmo depois de sua morte. Até hoje temo sua volta, mas tenho fé em Deus que tudo não passou dos dias que ficaram para trás.

Para acompanhar: Que tal um Bravo, sem açúcar ou adoçante?

Para amigos, com carinho.

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Já vivi tempo o suficiente para entender que amigos vêm e vão, conforme a maré. Isso já me deixou muito chateada, a ponto de achar que há algo de errado comigo. Entretanto, percebi que, na realidade, é o tempo e as circunstâncias que levam embora essas pessoas que nos proporcionaram momentos inesquecíveis.

Lembro dos meus primeiros amigos da escola. Muitos nomes me vem a cabeça, Taís, Dani, Danilo. Brincávamos juntos todos os dias, até passarmos para a primeira série. Então, cada um foi para uma escola e nunca mais nos falamos.

Aí, veio o colégio, a Luciana, a Renata, a Manoela, a Evelyn, a Vanessa e a Renatinha, o Otávio… Tantas pessoas que passaram que não consigo citar todos. E, sem mais nem menos, chegaram outros, os amigos da cultura, da Igreja, da vida, da balada, da faculdade, do trabalho… Alguns estão em meu Orkut, outros mantenho contato, mas nada se compara aos tempos que já se foram.

O fato é que cada um, sem dúvida alguma, contribuiu positivamente para a formação da minha personalidade. Reconheço que sem essas pessoas não poderia ter me tornado o que sou hoje. E não só os amigos, mas também os ex-namorados, ex-namorados de amigos, amigos de amigos, pais de amigos… Sem todas essas pessoas, não seria digna de ser chamada do meu nome.

Hoje, ainda choro quando percebo que um amigo-mais-que-irmão está se distanciando. Então, morro de saudades daqueles que a vida já levou embora, mas entendo todos os motivos para isso. O tempo passou, tudo mudou, afinidades não são as mesmas… Mesmo assim, amo a todos os que um dia foram tão importantes para mim e quero, do fundo do meu coração, o melhor que cada um possa ter!

Para todos que passaram por mim, para meus amigos queridos. Porque sei que, sem vocês, a vida seria  toalmente sem graça.