Por Aí: Angra dos Reis

IMG_0359Se você não planeja gastar rios de dinheiro em um único final de semana na praia, não vá para Angra dos Reis. Agora, se você está disposto a desembolsar uma boa quantia de reais para viver dias de luxo e glamour, em hotéis fantásticos, gastronomia sofisticada e, ainda, aproveitar a vista de uma das costas mais bonitas do litoral fluminense, não pense duas vezes – Angra dos Reis é o destino ideal.

De fato, a costa é fenomenal de beleza natural. Pequenas praias particulares são emolduradas por altíssimas montanhas cheias de vegetação tropical; o mar azul é salpicado por pequenas ilhas que são verdadeiros refúgios verdes; peixinhos nadam em torno das pedras em águas cristalinas e calmas… É o cenário paradisíaco perfeito: aqui só dá para pensar em mergulhar, nadar no mar, água fresca, pés pro ar e praia das 9h às 18h.

Fiquei hospedada no Pestana Beach Bungalows – Angra dos Reis . O hotel é totalmente digno das cinco estrelas que estampam o logo dos travesseiros e toalhas. Há praia particular, restaurante com culinária excelente, piscina à beira do mar, espreguiçadeiras confortáveis, caiaques, possibilidade para esportes náuticos, salão de jogos, academia, jacuzzi e um Spa L´Occitane belíssimo. A vista, tanto do deck em que fica o restaurante, da praia e da piscina, é exuberante. O hotel é pequeno, há apenas 27 bangalôs exclusivos que se distribuem em uma área imensa. Por isso, a sensação é de que tudo aquilo é só para você e todos os funcionários estão ali apenas para servi-lo.IMG_0376

Os quartos são amplos, bem decorados, têm um deck bem confortável e banheiro impressionante de imenso (quando eu construir minha casa vou querer fazer igual). Para completar, a natureza: passarinhos multicoloridos voando e te fazendo companhia durante o café da manhã, flores tropicais, árvores verdes e peixinhos na praia… É simplesmente um sonho, um lugar para relaxar.

Encontrei três defeitos: a academia é quente e pequena demais, o serviço não se compara aos hotéis de São Paulo em prontidão e rapidez e, claro, tudo é um absurdo de caro (água R$ 4,50; cerveja R$ 7,80 a long neck e assim por diante).Só fica lá quem realmente pode gastar. As diárias são de R$ 980 e R$ 1.080, o aluguel da lancha para esportes náuticos e passeios na orla é R$ 1.200 por dia para 4 pessoas, a massagem é R$ 60 para 30 minutos. Ou seja, um mundo irreal para pessoas comuns como eu, que só estava lá porque ganhei um concurso de fotos, e que não costumam ter R$ 5 mil disponível para um final de semana.

Marina do Shopping PiratasE é isso. Angra dos Reis é aproveitar o hotel, fazer passeios de lancha, mergulhar e nada mais. A cidade em si é muito feia, parece um daqueles morros cariocas. Só consegui ver casas inacabadas, lajes, botecos caindo aos pedaços, carros velhos… Não há um restaurante bacana, um centrinho charmoso com lojinhas de lembranças de Agra ou qualquer lugar para os inúmeros estrangeiros gastarem os dólares e euros. É estranho e bizarro. Não consegui entender como é possível existir mundos tão opostos de distintos em lugares tão próximos. O mar cheio de iates milionários, offshores do último modelo, ilhas particulares, jatinho, helicópteros, planadores de manobras; na terra, barracos, Brasílias caindo aos pedaços, bicicletas velhas… Muito contraste para um lugar só. E uma grande decepção também. Eu sempre ouvi dizer das belezas de Angra, mas eu gosto mesmo de lugares onde é possível correr na rua, passear na calçada e tomar sorvete de mãos dadas ao meu marido – além de terem praias maravilhosas. Ainda prefiro Ilha Bela.

Bom, como não sou milionária, provavelmente não voltarei para Angra tão cedo. Entretanto, valeu a experiência de um final de semana de luxo em meio à tão bela paisagem.

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Eu turisto, tu turistas, ele turista!

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Acho esquisito quando, em minha vida, acontece o seguinte diálogo:

– Onde você vai passar a lua-de-mel?

– Em Portugal, respondo.

– Mas só? Replicam, geralmente com feições de espanto.

Nesse momento, passa pela minha cabeça: qual o problema de visitar apenas um país da Europa? Aliás, por que devemos sempre visitar muitos países em uma viagem para Europa?

Todos os argumentos a favor são ótimos, mas não me convencem. Enquadro-me em uma categoria diferente de turista. Acho que viajar não é passar pelos principais pontos turísticos dentro de um ônibus de excursão, cheio de brasileiros. Acredito que o verdadeiro sentido de visitar outros lugares não é tirar fotos e agrupá-las em um álbum para mostrar aos amigos, como provas do grande número de países visitados. Isso não tem graça, não acrescenta nada além de portarretratos na estante da sala. Para mim, viajar é ter o contato com o diferente, é viver, por certo período, como os próprios cidadãos, é abrir-se para uma cultura tão interessante quanto à própria e, dessa forma, acabar conhecendo a si mesmo e aprendendo muito.

Inegável é a necessidade de tempo, é através dele que cria-se vínculos e lembranças que ninguém poderá tirar de você.  Quanto mais tempo em cada lugar, melhor. Transitar a cada duas noites pelas cidades europeias é conhecer o Coliseu, a Torre Eiffel, a Torre de Belém, Palácio de Buckingham… Já ficar por mais tempo em qualquer um dos países que abrigam esses monumentos é viver como vivem os habitantes, é comer onde eles comem e se divertir como se divertem.

Não se espante quado digo que não quero ter fotografias em monumentos famosos. Quero mais, ir além. Colecionar conhecimento, experiências únicas, novas formas de ver a vida. Portanto, sim, vou só para Portugal dessa vez. Quero conhecer as belezas da terrinha, mergulhar na cultura tão rica dos portugueses, ver de perto um povo que, por mais que se insista, é totalmente diferente do nosso. Os outros lugares ficam para uma próxima vez!

Foto: Centro de Lisboa
Crédito: Turismo de Lisboa/ Divulgação